sexta-feira, 14 de novembro de 2008



Maumau, Guigo e eu.

Elis, Essa Mulher


De manhã cedo, essa senhora se conforma

Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos

Ah, como essa santa não se esquece de pedir pelas mulheres

Pelos filhos, pelo pão

Depois sorri, meio sem graça

E abraça aquele homem, aquele mundo

Que a faz, assim, feliz

De tardezinha, essa menina se namora

Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal

Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista

Isso tudo é muito bom

E chora tanto de prazer e de agonia

De algum dia, qualquer dia
Entender de ser feliz

De madrugada, essa mulher faz tanto estrago

Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar

Ah, como essa louca se esquece

Quanto os homens enlouquece

Nessa boca, nesse chão

Depois, parece que acha graça

E agradece ao destino aquilo tudo

Que a faz tão infeliz

Essa menina, essa mulher, essa senhora

Em que esbarro toda hora

No espelho casual

É feita de sombra e tanta luz

De tanta lama e tanta cruz

Que acha tudo natural.

Mais Joyce.....




Olha aí, monsieur Binot
Aprendi tudo o que você me ensinou
Respirar bem fundo e devagar
Que a energia está no ar
Olha aí, meu professor
Também no ar é que a gente encontra o som
E num som se pode viajar
E aproveitar tudo o que é bom
Bom é não fumar
Beber só pelo paladar
Comer de tudo que for bem natural
E só fazer muito amor
Que amor não faz mal
Então, olha aí, monsieur Binot
Melhor ainda é o barato interior
O que dá maior satisfação
É a cabeça da gente, a plenitude da mente
A claridade da razão
E o resto nunca se espera
O resto é próxima esfera
O resto é outra encarnação
Monsieur Binot - Joyce (1981)